Esqueça Bolsonaro e Lula: preocupe-se mais com o legislativo

Esqueça Bolsonaro e Lula: preocupe-se mais com o legislativo

Os dois ocupam mais espaço do que merecem

Os dois ocupam mais espaço do que merecem

A forma como se dá o processo eleitoral brasileiro é péssima. Junta-se na mesma eleição os candidatos a Presidente da República, Governador, Deputado Federal, Senador e Deputado Estadual. 5 eleições em uma só! A de Presidente ofuscando todas as outras. Hoje, a 14 meses da eleição, só se escuta Bolsonaro e Lula. Péssimo para o país.

Nas democracias a figura mais importante é a do legislativo: senador, deputado estadual e deputado federal. A presença do presidente sequer existe em algumas democracias mais desenvolvidas. Legislativo é quem legisla; cabe ao Executivo apenas executar os mandos do legislativo. Um bom legislativo controla de maneira muito decente e sóbria um péssimo executivo, mas a recíproca não é verdadeira. Pode-se eleger o melhor presidente do mundo, se o Congresso Nacional ou a Assembleia Legislativa está podre, podre ficará o país.

Perca mais tempo com seus amigos, vizinhos, professores e inimigos discutindo qual o melhor candidato a deputado federal, estadual e senador nas próximas eleições. Ou até melhor: ao invés de procurar nomes procure ideias, e depois procure nomes que defendam essas ideias. Dá mais trabalho mas te permite errar menos na escolha do candidato. Mudar de ideia é mais difícil do que mudar de pessoas. Ideias não são infiéis; pessoas são voláteis.

O propalado Centrão é sintoma deste tipo de sistema eleitoral: dado que ninguém se preocupa com o voto ideológico para o legislativo, ganha quem promete mais obras na regionalidade. Deputados do Centrão não são corruptos por natureza. Por mais incrível que pareça, só estão tentando cumprir promessas de campanha. Quadras, pontes e asfaltos. Eles precisam de grana, via emendas parlamentares, para estarem quites com seus eleitores. Os votantes não cobram posicionamento ideológico (transparência pública, grade curricular de escolas, privatização – ou não – de empresas públicas, etc) dos candidatos, e eles sabem disto. Nesse contexto opera-se o balcão de negócios. Pouco importa a pauta, importa quantas emendas levará para votar aquela pauta.

Democracia, quanto mais participativa, melhor. Infelizmente o fator "presidente" vem tomando a cada eleição um peso maior e já astronômico. Há o efeito da obnubilação em relação aos demais. Quando isto ocorre, a sociedade passa a operar no escuro. São 513 deputados e 81 senadores. Quase a totalidade dessas pessoas são desconhecidas e os cidadãos sequer sabem quem de fato os representa no Congresso. Portanto, senhores: mais deputados e senadores e menos presidentes e governadores. Urgente.

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Sexta, 20 Mai 2022

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