Entrevista: Rodrigo Carvalho, vocalista iunense numa banda americana de metal

Entrevista: Rodrigo Carvalho, vocalista iunense numa banda americana de metal

Entrevista: Rodrigo Carvalho, vocalista iunense numa banda americana de metal

Aos 38 anos de idade, residente há 14 nos Estados Unidos, o iunense Rodrigo Dias de Carvalho deixou o trabalho de professor de Língua Inglesa para se tornar vocalista de metal, lançando agora com sua banda Irist seu primeiro disco.

Enquanto cursava Letras na Universidade Federal de Viçosa, Rodrigo se mudou para os EUA, onde se formou em Linguística Aplicada pela Universidade do Estado da Georgia, e depois fez mestrado. Por 8 anos, ele lecionou Língua Inglesa para alunos de mais de 100 países, desde o nível intermediário até o pré acadêmico.

Porém, em 2016, após ver na internet anúncio de uma banda de metal recrutando um vocalista, Rodrigo se interessa e inicia os estudos para se transformar num vocalista de técnica diferenciada.

Ao entrar na banda, eles fecham contrato com uma grande gravadora - e seu empresário responsável por revelar grandes nomes como Slipknot, Sepultura e Type O Negative. Em março deste ano, eles lançam seu 1º disco, Order of the Mind (foto de capa).

Confira a entrevista exclusiva:



A NOTÍCIA - Rodrigo, fale mais sobre o som da banda e o disco.

RODRIGO - Já nos classificaram de groove metal a post metal. Eu talvez classificaria como post hardcore, mas não acho bom ficar nos atendo muito a rótulos.

O disco Order of the Mind é um trabalho de um ano, então seu estilo musical varia: de música lenta como Havaster a músicas pesadas e de ritmos nada convencionais como Creation e Burning Sage. A gente tenta trazer um pouco de música latina para um som bem pesado, cru e intenso.

Já o tema do disco é "superação", que bate muito com o que passei quando entrei para a banda, voltando a cantar, sofrendo muita pressão, tendo que treinar muito, perder peso, etc.



A NOTÍCIA - De onde vem seu contato com a música?

RODRIGO - Quando eu estava na 7ª série, tive uma banda de metal pesado chamada Maggot. Eu no contrabaixo, meu irmão Diego "Pardim" na bateria, Arthur Beber na guitarra e Ralph Wallonne nos vocais. Depois foram várias formações, em algum momento o Jardel Amorim começou a tocar contrabaixo e eu passei para a guitarra, além de fazer muito backing vocal.

Mais tarde participei da banda Scream Pain, onde eu fui guitarrista, meu irmão na bateria, Danilo Lamas no baixo e Diego Beaves, que morava em Iúna, nos vocais. Com essa banda chegamos a tocar no Festival de Alegre, Encontro de Motociclistas de Manhuaçu, etc. Também tivemos uma banda com teor espírita chamada Terceira Revelação, com boas músicas autorais.



A NOTÍCIA - Quando você se tornou vocalista?

RODRIGO - Quando fui cursar Letras em Viçosa, fiquei meio defasado na guitarra e no baixo, então comecei a cantar heavy metal, metal melódico e grunge, principalmente. Participei então de uma banda de covers, com a qual tocávamos em bares, festivais, etc.

Depois de 4 anos e pouco em Viçosa, me mudei para os EUA, onde fiquei 10 anos sem me envolver com música. Mas, em 2016 vi o anúncio na internet da banda Irist precisando de um vocalista que utilizasse a técnica conhecida no Brasil como gutural. Foi então que aprendi a "gritar" da maneira correta, o que chamam nos EUA de growl.



A NOTÍCIA - Me fale mais sobre sua técnica vocal.

RODRIGO - Essa é uma técnica vocal muita complexa e que exige muita dedicação e cuidado com o corpo. Eu também uso a técnica pitched scream, que é onde se insere as notas musicais nos gritos, algo meio novo no mundo da música.

Eu me especializei na técnica, tanto que tenho certa dificuldade para cantar "limpo". Por isso nem me considero um cantor, mas um vocalista, por causa dos sons que faço com a voz.



A NOTÍCIA - Como surgiu a banda e sua entrada nela?

RODRIGO - A Irist começou em 2015 nos Estados Unidos, quando o argentino Pablo Dávila (guitarrista) e o chileno Bruno Segovia (baixista) se juntaram para fazer música. No caminho, encontraram outro guitarrista, o americano Adam Mitchell, que entrou para a banda e começaram a compor.

Eu os conheci em 2016, por causa do anúncio. Mas eu estava fora de forma, então não entrei na banda, mas fiz amizade com os integrantes. Até 2018 eu participei de alguns projetos musicais para retomar a forma e me reacostumar a cantar. Então, quando saiu o vocalista que entrou em 2016, eles me chamaram.



A NOTÍCIA - Como foi para a banda fechar contrato com uma gravadora grande?

RODRIGO - Quando eu entrei, a banda já havia começado uns contatos com a Nuclear Blast, uma enorme gravadora alemã. Então estávamos sob muita pressão. Nós tínhamos que gravar 3 demos para enviar para o presidente da gravadora, Monte Connor, figura conhecida no mundo do metal.

Depois de 3 meses, gravamos as 3 demos e enviamos para ele, que gostou muito. Depois enviamos mais duas demos e ele já estava rascunhando o contrato. Por volta de maio de 2018, fechamos o contrato.



A NOTÍCIA - E o processo de produção e gravação do disco?

RODRIGO - Ficamos então até o fim de 2018 terminando de compor. Procuramos para produzir o disco Lewis Johns, produtor de muitas bandas punk e hardcore inglesas. Ouvindo um trabalho dele, gostamos do que ele fez com bateria, e como temos três pessoas na banda tocando bateria no disco, foi um detalhe crucial para escolhermos ele. Fomos então para a Inglaterra, onde ficamos um mês em estúdio gravando o disco.



A NOTÍCIA - O lançamento teve grande repercussão?

RODRIGO - O disco foi lançado mundialmente em 27 de março desse ano e teve campanha publicitária em vários lugares do mundo como Inglaterra, Bélgica, Grécia, EUA. Foram feitas resenhas sobre o disco em diversas revistas importantes do meio, como a Kerrang (Inglaterra), Revolver (EUA), Decibel (EUA), Metal Hammer (Inglaterra) e Rolling Stone (Alemanha).



A NOTÍCIA - E o que aconteceu com a chegada da Covid-19. Vocês tinham uma turnê preparada?

RODRIGO - Nós já tínhamos uma turnê de lançamento agendada para vários países da Europa, com participação em diversos festivais, tudo divulgado nas nossas redes sociais. Mas com a chegada do Coronavírus, tudo foi cancelado.

Nós começamos então a preparar músicas para um disco novo, fazer lives, etc., mas como não tem data para voltar com os shows, a banda decidiu entrar em estado de hibernação. Por enquanto, cada membro decidiu seguir um caminho e eu preferi voltar para Iúna para passar um tempo com a família.



A NOTÍCIA - Planos em mente?

RODRIGO - Por enquanto, não tem como a banda se planejar. Se tudo ocorrer como previsto antes, tem uma turnê para fazer nos EUA com a Pallbearer, uma banda grande, então a programação seria Costa Oeste - costa Leste (EUA) e depois Europa. Mas ainda assim, quando tudo isso vai acabar, ninguém sabe .

 

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Sexta, 20 Mai 2022

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